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Memorização e comunicação imediata comprovam o potencial da ilustração

Montalvo Machado
www.montalvomachado.com.br

A ilustração, assim como toda informação pictórica, se torna parte da memória das pessoas a partir do momento que é vista. Uma imagem é reconhecível após vários anos, mesmo que tenha sido observada uma única vez. Um conceito gráfico pode ser identificado por suas características, até mesmo em uma imagem inédita, pela rápida associação de idéias envolvidas no processo visual.

Este é um recurso poderoso num mundo competitivo e tão visualmente orientado como a época que vivemos. Somos bombardeados com informação visual do momento que abrimos os olhos pela manhã, até o momento de voltar a dormir, onde os sonhos continuam nos causando impressões visuais e sensoriais de grande significado psicológico, condensando, reinterpretando e comparando tudo que absorvemos no estado de vigília. Estas informações, em sua grande maioria, são visuais.

Mesmo assim, a ilustração não tem sido considerada com a importância merecida nos projetos gráficos da atualidade.

Ela é parte da identidade visual de embalagens, matérias e capas de revistas, livros, jornais, websites e publicações de todos os tipos. É um recurso gráfico extremamente importante, pelo seu poder de comunicação imediata, livre da limitação dos idiomas, zerando o tempo de absorção da informação, demonstrando grande eficiência em comparação a outros recursos de comunicação visual. Comercialmente falando, a ilustração é um poderoso alavancador de vendas, criando fidelidade de produto, e recall que pode perdurar várias décadas, basta lembrar de alguns exemplos clássicos, como Ana Maria, Senninha, Casas Bahia, Frango Sadia, e alguns mais antigos, que não caem no esquecimento, como cobertores Parahyba, Mini Chicletes, e o "frio" como personagem, batendo à porta nos antigos comerciais em preto e branco das casas Pernambucanas. Isto sem contar os inúmeros personagens que fazem parte do nosso imaginário, e da memória de várias gerações, como o Sítio do Pica-pau Amarelo, a turma da Mônica, o Amigo da Onça, Asterix entre tantos outros.

Quando bem feita, a associação entre o personagem e o produto é inseparável, criando condições comerciais extremamente vantajosas ao cliente.

Numa era de enxugamento de despesas, metas de faturamento e redução de gastos, a ilustração tem sido sub-utilizada, seu grande potencial de memorização e sedução visual tem se perdido na busca por gastos menores. Por outro lado, quando designers usam ilustrações bem aplicadas, direcionadas ao público certo, na linguagem adequada, agregam valor ao produto, e isto representa um fator decisivo no momento da compra, ou da escolha do serviço ou produto. Criam assim um recall muito mais duradouro e diferenciado do que seus concorrentes que usam outros recursos visuais mais baratos, baseados na economia imediata, e cortam as "gorduras" dos projetos gráficos. Empobrecem muitas vezes o produto final, sem se dar conta que ilustração é órgão, e não pode ser lipoaspirado das contas sem causar grandes prejuízos ao retorno financeiro que uma boa imagem sempre traz.

Há um grande e rápido poder de compreensão na ilustração que é registrado antes de qualquer texto, num processo mental de retenção de sensações e idéias que remontam aos nossos ancestrais das cavernas, que já usavam do imaginário em suas inscrições rupestres muito antes da primeira palavra escrita. Sua comunicação visual superou a barreira do tempo, e é o mais importante registro da maneira de pensar e agir daqueles povos. É um roteiro do seu comportamento social, que manteve preservada sua mensagem por milhares de anos. Um incontestável case de comunicação ostentando sucesso internacional, com índices de memorização que não caberiam nos gráficos de nossas estatísticas atuais, de tão bem sucedidos.

Temos muito a aprender com nossos ancestrais, que superaram limites, desenvolvendo e dominando princípios de comunicação visual, usando com habilidade os recursos e linguagens perfeitamente adequados à sua época.

 
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